Essa é uma situação cada vez mais comum e constante por causa da popularização dos computadores: um conhecido, amigo, parente, aluno e principalmente um cliente me procura para saber por que o computador “dual core” dele, recém adquirido nas “casa da Bahia” ou na “casa do vídeo”, com monitor LCD, que roda Windows Vista, acessa a internet, toca música, grava DVDs, lê cartões de memória e roda até AutoCAD e Corel Draw ao mesmo tempo não roda o joguinho que ele comprou na banca de jornal, ganhou no Natal ou até mesmo “adquiriu” no camelô da esquina?
O que responder a este cliente? Como explicar para um “leigo” em hardware que o computador dele, novinho e que chegou da loja agora não tem capacidade para rodar os jogos mais recentes ou até mesmo os lançados no mercado antes do computador dele?
Em um videogame, não há como trocar a placa de vídeo, colocar mais memória, ou melhorar a placa de som ou mesmo instalar um Windows mais recente, mas qualquer game feito para ele rodará sem problemas e não é nem necessário ficar quase meia-hora instalando o “dito cujo”. Porque no computador a coisa não é assim?
Tudo bem que explicar a coisa para alguém técnica e culturalmente por dentro do assunto é fácil. Mas qual é o técnico presta serviço e ganha dinheiro com outro técnico? Difícil! A maioria de nossos clientes quer o resultado final e não explicações técnicas e divagações filosóficas sobre o porque de não ser possível rodar qualquer jogo para PC no seu PC!
Digamos que o usuário entenda que pelo menos uma placa de vídeo boa vai resolver parte dos seus problemas? Vai lá explicar porque essa placa custa, por vezes, mais caro do que o computador dele? Além disso, só ano que vem é que a placa poderá ser instalada porque a garantia do micro é, normalmente, de 1 ano e será cancelada se o bicho for aberto…
Se esse cliente aceita a instalação da nova e caríssima placa de vídeo, como vamos explicar para ele que não se podem deixar os recursos gráficos do jogo no máximo porque mesmo a placa moderna dele não agüenta? ” – Como pode? Paguei pelo jogo e por todos os recursos nele mas não posso usar?” Retrucará ele?
Só para a elite
O que estamos vendo uma tendência à elitização nos novos games. Os fabricantes estão otimizando os gráficos, aproveitando os novos recursos das placas mais modernas (e caras) mas esquecem de aperfeiçoar os códigos permitindo que rodem em máquinas mais leves. Isso leva o jogador a investimentos constantes que nem todos podem bancar.
A busca pela imagem de cinema nos games chegou ao exagero com os títulos lançados no final de 2007. Dois exemplos: Crysis e Juiced 2 estão aí e não me deixam mentir. Crysis ainda tem seus atrativos, mesmo rodando em resoluções mais baixas, mas o reprimido e medíocre Juiced 2 tenta se suportar apenas nos gráficos pesadões para se passar por um bom game de corridas, mas não roda adequadamente nem em baixa resolução em um PC com os requisitos recomendados e que está rodando Crysis normalmente.
E os rumores indicam que a coisa complicou para as próprias empresas produtoras de games. Parece que a Electronics Arts está tendo dificuldades para portar Crysis para consoles como o XBox 360 e, ao que tudo indica, se a versão para o console sair um dia do forno, terá diversos recursos gráficos removidos, justamente porque o console não tem tanto poder de vídeo quanto um PC com duas placas de vídeo em SLI/Crossfire.
Incompetência ou preguiça?
Ter criatividade para criar games é essencial, mas conhecer a linguagem de programação e o sistema para aproveitar melhor os recursos dospiníveis e aperfeiçoar os códigos ajuda também. As empresas deveriam procurar, além de grandes designers, bons programadores e engenheiros de hardware!
E isso também vale para a Microsoft com o seu inchado DirectX que só vem crescendo em tamanho nos últimos anos e passou de alguns megabytes nas primeiras versões à quase 80 megabytes nas atuais. Será que toda a capacidade das versões anteriores já foi explorara? Duvido! E a big Bill já se tocou disso com o fiasco que está sendo o Vista divulgando que as novas versões do Windows serão totalmente reescritas com o foco em aperfeiçoar o código e construir um sistema menor e mais leve. Será que o DirectX entrará na jogada também?
Não falei de Linux! Cadê os prometidos games para Linux? Não estou falando de corridas de pingüins fofinhos ou de tiros em bolinhas coloridas que já tem aos montes para o sistema, mas de games de verdade, à altura dos que já existem para Windows aos montes. A famosa desculpa da falta de drivers “for Linux” já foi abaixo faz tempo e até agora às produtoras ficaram na dela? Falta gente boa em programação nessas empresas ou será preguiça mesmo?!
Da parte dos fabricantes, para os drivers e firmwares das placas vale o mesmo. Arquivos gigantescos, e cheios de recursos não aproveitados. Acaba que pagamos caro por muitos recursos poderosos, mas que nunca serão aproveitados. Falta também uma melhor divulgação dos recursos disponíveis nas placas pelos quais pagamos, mas não usamos. Uma divulgação mais aberta e até uma lista de compatibilidade com os games poderia forçar as empresas de games a investir mais em recursos já existentes ao invés de usar de seu poder e preguiça e solicitar esse ou aquele novo recurso só para meia-dúzia de novos jogos.
Por sorte temos produtoras pequenas que licenciam engines mais antigas para fazer novos títulos, sugam ao máximo seus recursos e ganham espaço no mercado. Bons exemplos são o magnífico Bioshock, TimeShift e BlackSite Área 51 que usam a engine do Unreal que é leve e tem qualidade gráfica excelente e roda mesmo em máquinas medianas, bastando um investimento maior em uma placa de vídeo de geração intermediária.
Conclusão
Softwares evoluem; novos recursos são implementados e novos hardwares são necessários. Isso é natural na evolução tecnologica, mas colocar algo no mercado agora que só poderá funcionar daqui a três gerações de hardware é meio absurdo se pensarmos que games são para diversão! Não estou dizendo que os novos games deveriam ser “feinhos” como os antigos, mas sim que nossos sistemas poderiam ser mais bem explorados com códigos mais trabalhados, conhecimentos mais profundos do hardware por parte dos desenvolvedores e uma troca de informações mais constante e “honesta” entre fabricantes, produtores e usuário final. Ouçamos os clientes!
Sim! Isso é possível! Veja por exemplo o que aconteceu com consoles mais antigos como o Playstation que teve excelentes games lançados no final de sua longa carreira e até hoje; o que ocorreu com o falecido Dreamcast para o qual até hoje produtoras independentes produzem belos games. E o que está acontecendo agora, neste momento com o Playstation 2, para o qual encontramos belos lançamentos de excelente qualidade gráfica e sonora, explorando ao máximo as capacidades do hardware, mesmo ligado à uma TV comum “e sem a necessidade de trocar a placa de vídeo”.
Regra básica de negócios, quanto maior meu público alvo, mais o meu produto vende, mais clientes em tenho, mas dinheiro eu ganho e mais tenho para investir em equipes competentes e em novos produtos para cativar o meu público e manter as vendas. Se Eu sei disso, porque as grandes empresas de entretenimento não sabem?
Há muito ainda a se discutir sobre o assunto. Comentem…




3 comentários para este post
Huahuahua! Eu sou um dos que vivem atazanando o André por causa dos games que num rodam no meu positivo. Mas só posso coloca placa de video melhor daqui a alguns meses quando acaba a garantia.
Bom, hoje é mais fácil adquirir um pc nas casas malinha do que um 360 mais caro e “no cash”.Mas quem quer jogar, COMPRE UM VIDEOGAME!!Realmente em se tratando de pc quem curte games tem que saber o que quer, pois acho que nem lá fora o pessoal tá aguentando certos absurdos.Certas empresas deveriam se concentara em outras coisas como refrigeração e outros afins, mas só querem evoluir graficamente.E aqui no Brasil jogos on-line mandam, e devem ser leves e por isso rodam na maioria esmagadora dos pc’s do país.A engine unreal e a source de half-life são exemplos de como jogos leves podem ser muito bem programados.De acordo com o artigo, acho que o problema é preguiça mesmo…nem todo jogo bonito diverte.Mais uma coisa…que fim levou a engine de Doom e Quake 4, que na época deu muita dor de cabeça?!?
Nem fale
Quando montei meu pc foi pensando unica e exclusivamente em jogar Doom3
Eu fanatico que era pelas versões chinfrinhas (mais empolgantes) do nintendo e playstation fiquei louco so de pensar e ver o Doom com graficos arrasadores.
Montei a carroça com o que tinha de melhor, muita memória, um cepo de um processador e uma placa de video que na epoca era só por encomenda, ninguem tinha essa tal de pci express, era so agp mesmo.
Então chegou o dia fatal
Depois de meia hora no pc fiquei ate com dor de cabeça.
Um jogo pesado, cheio de bugs, repetitivo e massante.
Só não foi pior porque na época descobri que existia Far Cry
Far Cry tambem quase deu um enfarto em meu pc mais com graficos baixos foi o que fez valer a pena o que gastei na epoca.
Graficos altos? Só no pc da nasa e olha la^^
Escrever um comentário
Atenção comentarista!